Cultura G-ZVF6EVB510
"Eu não sou Africano por ter nascido em África, mas porque África nasceu em mim"
HIP HOP, CULTURA E POLÍTICA NA IDENTIDADE SOCIAL
A frase de Nkrumah nos remete à lembrança de que somos descendentes de povos africanos, somos negritude, somos axé e tudo faz sentido em todo processo coletivo no qual podemos beber dos conhecimentos e contribuições para o reconhecimento da força e poder do negro em diferentes sociedades, constituindo vozes e pensamentos fundamentais para potencializá-lo junto ao desenvolvimento político, econômico e social.
Estudos e investigações tem se destacado em torno das identidades negras marcadas pela histórica evolução do indivíduo preto em sociedade, deixando para trás as memórias da escravidão e suas consequências sociais[1]. Os registros que nasceram das experiências do Teatro Negro, da Frente Negra[2] nos permitiu perceber a construção das Identidades Sociais, ativistas, reverberando o sentido cultural e crítico, ao mesmo tempo, das organizações e sua força motora para trazer à superfície a voz e representação negra como processo participativo da engrenagem social e de progresso humano.
Desde os bailes black às gremeações de Escolas de Samba, vivenciamos a Cultura Negra estabelecida pela própria história do ex-cravizado, do trabalhador assalariado, do não assalariado, do desempregado, do negro sem valor, “sem sentido” e importância social. O seu protagonismo, camuflado pela indiferença e pela desigualdade social, deixam de existir quando a força integrante da luta pelos direitos sociais e civis ganham força e expansão, quebram barreiras.
Compreendemos que a Cultura Hip Hop tornou-se, entre outras ações, o ponto ativista e contribue para evolução Cultural e Política, que se destacam da seguinte forma: Cultura nos ressignificados empáticos que determinam os sentidos na escala do pertencimento e a essência na percepção dos iguais no modo de vida social e a Política, são ações e movimentos que direcionam para as necessidades e práticas de Políticas Públicas mais atuantes e contundentes em relação ao seu papel e representatividade.
Os debates a respeito da Cultura periférica, tratados pela sociedade capitalista e pela mídia, destacam no hip hop o sentido marginal e traz na balança a comparação entre a dita Cultura Formal e a Cultura Popular, obviamente, inserindo aos jovens da periferia, os verdadeiros protagonistas da Cultura de Rua, a classificação preconceituosa de “Cultura Marginal”, com direito a argumentos carregados de discriminação social devido as estéticas e narrativas politicamente engajadas em suas perfomaces.
O que foi denominado Cultura Marginal, sob a ótica da sociedade elitista e eurocêntrica, no fundo, representa a Cultura de Rua, a Cultura Popular mas carregada de elementos próprios e de ícones verdadeiros que retratam as realidades de cada grupo, sujeitos periféricos da sociedade civil e que representam o entrecruzamento com a corporeidade africana no Brasil.
Amilcar Cabral contribui com essa discussão dizendo o seguinte “As massas populares são portadoras de cultura, elas são a fonte da cultura e, ao mesmo tempo, a única entidade verdadeiramente capaz de preservar e de criar a cultura, de fazer história”. Pela perspectiva ativista, Cultura e Política estão associadas e podem representar fortes e contundentes movimentos sociais a partir de grupos identitários no compartilhamento de valores inseridos nos Coletivos. Isso tudo para dizer que a partir da origem do Hip Hop num contexto Cultural, a Política passou a ser componente natural e obrigatório para assentar e alinhar os discursos que fomentam a luta pela justiça social e humanitária.
Considerações finais:
Rimar, dançar, cantar, usar o spray e as cores, formaram sujeitos da resistência para a construção de uma Identidade Negra e de uma identidade social. A essência e força Vital do movimento cultural contido no hip hop , concretiza a herança africana que herdamos. Resistir e lutar faz parte da cultura negra o que decorre para um novo olhar que se estabelece na sociedade e no poder. Almejar por dias melhores preenche o cotidiano de quem vive a realidade periférica mas cuja inquietação levanta vozes de protesto e espera no poder público a justiça e assistência como deve ser.
[1] Salientamos que neste caso, o “deixar as memórias para trás” não significa esquecê-las, pois, a cada sofrimento pelo qual o indivíduo negro passou e ainda passa, potencializou as lutas e busca por liberdade.
[2] O Teatro Experimental do Negro e A Frente Negra foram exemplos de associações que deram certo ao permitir e constituir elementos-chave para instruir, formar e colocar o negro no mercado de trabalho e com visibilidade social.
Resumo O papel da mulher negra no mercado de trabalho t
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